Até na Lagoa existiam corridas. É claro que com submarinos adaptados para menores profundidades e percursos. Ficava mais ou menos em frente à Hípica. Ali foi um dos últimos locais onde foi possível assistir a uma boa corrida.
sexta-feira, 10 de julho de 2015
Até na Lagoa existiam corridas. É claro que com submarinos adaptados para menores profundidades e percursos. Ficava mais ou menos em frente à Hípica. Ali foi um dos últimos locais onde foi possível assistir a uma boa corrida.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Pois é, tem dias que são não e dias que são sim. Nos não, geralmente domingos e feriados não tenho compromissos, normalmente um dia de trabalho nunca é não. Nesses dias tudo que eu começo não me satisfaz, vou escrever, nada saí; vou fotografar, nada vejo; vou ouvir uma música e tiro todos os Cds das caixas. Como um doce da vontade de comer um salgado, enfim uma sucessão de nãos.
Já num dia sim tudo da certo tudo vai em frente vejo fotos até num cortador de unhas sinto aromas inebriantes vejo as cores saturadassas tenho vontade de falar com todos os amigos vontade de trabalhar nas minhas coisas idéias para estudos novos novas historias muitas cosias nem vão em frente mas sempre fica algo não é da vontade de escrever tudo sem pontuação e que se foda o corretor de texto com seus verdinhos irritantes
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
montmartre, paris foto jcfilizolaterça-feira, 23 de novembro de 2010
Que falta que me faz o teu sorriso
Este teu sorriso iluminado,
Pena não tê-lo encontrado mais cedo,
Quando o tempo podia ser dobrado
E a vida era só mais um brinquedo.
Este teu sorriso iluminado,
Que bom tê-lo encontrado enfim, um dia...
Mesmo num tempo duro como aço
E a vida tão real que até dá medo
Teu sorriso tão amigo...
Que embora possa achar
Que estou errado,
Sempre escuta o que eu digo.
Quando você não vem e às vezes some,
Ou zangada disfarça e olha para o piso,
Será que percebe?
A falta que me faz o teu sorriso
sábado, 6 de novembro de 2010
PROMOÇÃO
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Canção de amar você
Eriçar teus pelos
Embaraçar cabelos
Te passar meus medos
Te roçar meus dedos
Dançar tua dança
Te levar pra França
Te deitar na cama
De rolar na grama
Desfazer tua trança
De te ver criança
De correr na praia
Se ainda se usa:
De abrir tua blusa
E por todos os meios
Acariciar teus seios
Perder o juízo
Com teu sorriso
Entrando de improviso
Pelo meu ouvido
Já tão esquecido
Te amar mansinho
Abrir tuas portas
Fazendo carinho
Penetrar tuas locas
Numa ânsia louca
Beijar tua boca
Enroscar meus braços
Pelo teu pescoço
Criar com meus traços
O teu lindo esboço
Me sentar na praia
Enrolar tua saia
Me sentir querido
E no teu ouvido
Dizer com cuidado
Que me sinto amado
E o que eu sempre quis
Foi te saber feliz
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
HELP !!!
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
PEGOU NO TRANCO
Estaciono o carro na ladeira, pronto para descer. Em frente às duas igrejas. A casa continua lá, ainda pintada nas mesmas cores. Desço e coloco os óculos escuros. A casa está fechada, disseram-me que os proprietários estão viajando. A chuvarada passou de repente e saiu um belo sol contra o céu azul.
No portão dos fundos, de dentro do terreno, um garoto me observa curioso. Deve ter pulado a cerca para roubar butiá, da para ver daqui que tem um cacho amadurecendo. Vou descendo a ladeira com cuidado para não escorregar no terreno enlameado.
O poço novo esta lá, atrás do balanço, no qual o garoto agora se diverte. Disseram-me que o poço velho foi aterrado. Contorno a esquina bem devagar, as hortênsias estão floridas, quase alcançando o corrimão da varanda. O garoto vem correndo e abre o portão da frente. Do bolso traseiro pende o elástico de uma atiradeira – que lá chamam de cetra – os bolsos estão estufados de pedras e butiás quase maduros.
A chuva que caiu torrencial trouxe das colinas a água que corre pelas valas na lateral da rua. A água é limpa, muito limpa. A vala é cortada em uma argila rija amarela. O garoto molda grandes nacos de argila e com eles vai ligando pedras e cacos de tijolos formando uma pequena barragem. Ele faz naquilo bem feito.
A casa está realmente toda fechada. Arrisco entrar. Passo vagarosamente entre os canteiros cercados por tijolos. Caminho até o pé de butiá e colho alguns maduros. O gosto característico já meio esquecido estimula o paladar e a memória. Sento um pouco no balanço. Olho os grandes eucaliptos do Grupo Escolar. O Grupo está fechado, é mês de férias. Contorno a casa. Do outro lado nem sinal do poço velho. Realmente foi fechado. A árvore está lá, linda e frondosa como sempre. Amiga e acolhedora.
O garoto aparece e me olha cúmplice. Pula, agarra um galho mais baixo, balança o corpo, apóia o pé numa forquilha e sobe. Num instante alcança galhos mais altos.
A árvore agora está mais alta que a casa. Imito o garoto e subo também. O mocassim novo, já sujo de lama, recebe mais uma cicatriz. Procuro um galho confortável. As sementes nascem em cachos que brotam dos galhos. Arranco um e começo a girar a bolinha dura e verde escura entre meus dedos. O garoto lá em cima mexe-se e olha-me reprovador. Aquelas bolinhas devem ser venenosas. Aquilo é uma arvore de bolinhas. Vou desfazendo o cacho e atirando uma a uma as sementes no terreno baldio vizinho.
Desço da árvore e vou andando em direção ao portão. Nuvens escuras aparecem lá para o lado do chovedor e anunciam que vem mais água por aí. Caminho lentamente para o lado do Grupo Escolar. As janelas estão fechadas. Nas paredes claras algumas manchas da cor da argila da vala. Em alguns dos retângulos da janela o vidro fino está quebrado. É sempre um pequeno orifício, redondo e bem recortado.
O garoto está ao meu lado e olha com um sorriso maroto. O povoado esta deserto, ninguém na rua. Como se adivinhasse meu pensamento, ele me estende a cetra e um butiá verde. Meu tiro sai certeiro, e abre um pequeno orifício, redondo e bem recortado na janela do Grupo.
Na valeta o tanque do garoto ficou pronto. Por um pequeno vertedouro no topo, a água escorre e move uma pequena roda de madeira, como se fosse um moinho.
Começa a chover de novo. Dirijo-me lentamente para o carro. Lá atrás, antes de desaparecer no terreno baldio, o garoto acena sorridente e faz um sinal de positivo com o polegar para o alto.
Subo no carro, solto o freio de mão, olho mais uma vez para a casa e vou descendo lentamente a ladeira. Como se não quisesse acordar as pessoas naquele sonho. Lembro que ainda estou de óculos escuros. Tiro os óculos, enxugo as lágrimas, engreno uma segunda e a vida pega de novo, no tranco...
Jose Carlos Filizola
Morro Azul, 13 de outubro de 2001


