terça-feira, 23 de novembro de 2010

Que falta que me faz o teu sorriso

Este teu sorriso iluminado,

Pena não tê-lo encontrado mais cedo,

Quando o tempo podia ser dobrado

E a vida era só mais um brinquedo.

Este teu sorriso iluminado,

Que bom tê-lo encontrado enfim, um dia...

Mesmo num tempo duro como aço

E a vida tão real que até dá medo

Teu sorriso tão amigo...

Que embora possa achar

Que estou errado,

Sempre escuta o que eu digo.

Quando você não vem e às vezes some,

Ou zangada disfarça e olha para o piso,

Será que percebe?

A falta que me faz o teu sorriso

sábado, 6 de novembro de 2010

PROMOÇÃO


Ela é gateira, fotografa, flamenguista, e boa gente...

Bolou uma promoção bacana para esse fim de ano... Veja lá no blog dela, é aqui pertinho

http://prosopopeiascintilantes.blogspot.com/


terça-feira, 19 de outubro de 2010

Canção de amar você

Eriçar teus pelos

Embaraçar cabelos

Te passar meus medos

Te roçar meus dedos

Dançar tua dança

Te levar pra França

Te deitar na cama

De rolar na grama

Desfazer tua trança

De te ver criança

De correr na praia

Se ainda se usa:

De abrir tua blusa

E por todos os meios

Acariciar teus seios

Perder o juízo

Com teu sorriso

Entrando de improviso

Pelo meu ouvido

Já tão esquecido

Te amar mansinho

Abrir tuas portas

Fazendo carinho

Penetrar tuas locas

Numa ânsia louca

Beijar tua boca

Enroscar meus braços

Pelo teu pescoço

Criar com meus traços

O teu lindo esboço

Me sentar na praia

Enrolar tua saia

Me sentir querido

E no teu ouvido

Dizer com cuidado

Que me sinto amado

E o que eu sempre quis

Foi te saber feliz

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

HELP !!!


Help me if you can, I'm feeling down
And I do appreciate you being 'round.
Help me get my feet back on the ground,
Won't you please, please help me?

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

PEGOU NO TRANCO

Estaciono o carro na ladeira, pronto para descer. Em frente às duas igrejas. A casa continua lá, ainda pintada nas mesmas cores. Desço e coloco os óculos escuros. A casa está fechada, disseram-me que os proprietários estão viajando. A chuvarada passou de repente e saiu um belo sol contra o céu azul.

No portão dos fundos, de dentro do terreno, um garoto me observa curioso. Deve ter pulado a cerca para roubar butiá, da para ver daqui que tem um cacho amadurecendo. Vou descendo a ladeira com cuidado para não escorregar no terreno enlameado.

O poço novo esta lá, atrás do balanço, no qual o garoto agora se diverte. Disseram-me que o poço velho foi aterrado. Contorno a esquina bem devagar, as hortênsias estão floridas, quase alcançando o corrimão da varanda. O garoto vem correndo e abre o portão da frente. Do bolso traseiro pende o elástico de uma atiradeira – que lá chamam de cetra – os bolsos estão estufados de pedras e butiás quase maduros.

A chuva que caiu torrencial trouxe das colinas a água que corre pelas valas na lateral da rua. A água é limpa, muito limpa. A vala é cortada em uma argila rija amarela. O garoto molda grandes nacos de argila e com eles vai ligando pedras e cacos de tijolos formando uma pequena barragem. Ele faz naquilo bem feito.

A casa está realmente toda fechada. Arrisco entrar. Passo vagarosamente entre os canteiros cercados por tijolos. Caminho até o pé de butiá e colho alguns maduros. O gosto característico já meio esquecido estimula o paladar e a memória. Sento um pouco no balanço. Olho os grandes eucaliptos do Grupo Escolar. O Grupo está fechado, é mês de férias. Contorno a casa. Do outro lado nem sinal do poço velho. Realmente foi fechado. A árvore está lá, linda e frondosa como sempre. Amiga e acolhedora.

O garoto aparece e me olha cúmplice. Pula, agarra um galho mais baixo, balança o corpo, apóia o pé numa forquilha e sobe. Num instante alcança galhos mais altos.

A árvore agora está mais alta que a casa. Imito o garoto e subo também. O mocassim novo, já sujo de lama, recebe mais uma cicatriz. Procuro um galho confortável. As sementes nascem em cachos que brotam dos galhos. Arranco um e começo a girar a bolinha dura e verde escura entre meus dedos. O garoto lá em cima mexe-se e olha-me reprovador. Aquelas bolinhas devem ser venenosas. Aquilo é uma arvore de bolinhas. Vou desfazendo o cacho e atirando uma a uma as sementes no terreno baldio vizinho.

Desço da árvore e vou andando em direção ao portão. Nuvens escuras aparecem lá para o lado do chovedor e anunciam que vem mais água por aí. Caminho lentamente para o lado do Grupo Escolar. As janelas estão fechadas. Nas paredes claras algumas manchas da cor da argila da vala. Em alguns dos retângulos da janela o vidro fino está quebrado. É sempre um pequeno orifício, redondo e bem recortado.

O garoto está ao meu lado e olha com um sorriso maroto. O povoado esta deserto, ninguém na rua. Como se adivinhasse meu pensamento, ele me estende a cetra e um butiá verde. Meu tiro sai certeiro, e abre um pequeno orifício, redondo e bem recortado na janela do Grupo.

Na valeta o tanque do garoto ficou pronto. Por um pequeno vertedouro no topo, a água escorre e move uma pequena roda de madeira, como se fosse um moinho.

Começa a chover de novo. Dirijo-me lentamente para o carro. Lá atrás, antes de desaparecer no terreno baldio, o garoto acena sorridente e faz um sinal de positivo com o polegar para o alto.

Subo no carro, solto o freio de mão, olho mais uma vez para a casa e vou descendo lentamente a ladeira. Como se não quisesse acordar as pessoas naquele sonho. Lembro que ainda estou de óculos escuros. Tiro os óculos, enxugo as lágrimas, engreno uma segunda e a vida pega de novo, no tranco...

Jose Carlos Filizola

Morro Azul, 13 de outubro de 2001

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A FOTO



Lá vão os dois atravessando a avenida. Ele veste um bermudão escuro que acentua as pernas muito finas e os pelos enrolados em pequeninos caracóis. Camisa comprida e larga, de mangas curtas, aberta na frente. Ela usa uma saia curta preta e amassada. A blusa de malha floreada mal cobre os seios já meio caídos apesar da pouca idade. Cabelo manchado e maltratado. Parece que dormiram sob alguma marquise ou banco de praça. Riem, estão felizes.

Enquanto observo a dupla já chequei a câmera e componho mentalmente algumas possibilidades. A luz já esta muito dura, a manhã encaminha-se para o final, nada se encaixa. Desisto.

Ela vem na minha direção, me olha nos olhos e diz:

Tira uma foto minha...

A voz é macia e suave, meio lânguida. Não é um pedido, não é uma ordem. É uma necessidade de afirmação, de aparecer talvez... Não, na verdade é um convite...

Claro, respondo já me virando com a câmera pronta.

Enquanto rapidamente ajeito o corte para um retrato, percebo com o outro olho o preparativo da pose. Ela empina a bunda para trás e o tecido grosseiro da saia sobe junto formando um bico. Desentorta a coluna e respira fundo. Os seios crescem, enchem a blusa e ficam bonitos... Os olhos semicerrados os lábios entreabrem e umedecem sensualmente... Fundo ruim, gente passando, tento tirar o que não é ela... O importante é aquela expressão aquele olhar! Disparo.

Endireito meu corpo automaticamente e fico esperando o tradicional agradecimento. E nada, ela está parada. Começo a andar devagar, também meio sem saber o que fazer, então me volto para agradecer aquele momento mágico, aquele nosso flerte relâmpago. Ela ainda me olha meio embevecida, meio largada, solta e feliz. Faço um sinal com o polegar para cima. Ela vira a cabecinha, como na foto, e coquete me fala, meio abafada pelo vento sudoeste que começa a entrar.

Guarda de recordação tá bom...

Guardo sim minha querida musa, guardo sim.

Jose Carlos Filizola, abril de 2005

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Chaves e portas



Não se preocupe com as chaves, encontre as portas